O Combate à Corrupção em Angola e as Suas Disfunções

Em Novembro passado, durante uma viagem intermunicipal do Muconda para o Luau, na província do Moxico, após mais de 60 quilómetros de estrada sem ver vivalma, a comitiva na qual seguia deparou-se com um pastor que conduzia perto de 30 cabeças de gado para executar a sentença de um kimbandeiro. O proprietário do gado foi acusado de feitiçaria e o kimbandeiro-juiz condenou-o a entregar parte da sua fortuna como pagamento ao próprio “juiz” e ao soba da sua jurisdição.  Muito poderia falar sobre as crenças na feitiçaria e a corrupção como esteios da sociedade angolana. Mas cabe-nos apenas, neste encontro, discutir a corrupção. Ora, a corrupção é um problema transversal, que está presente em todas as áreas da vida. Na aldeia deste pastor, a corrupção entrou na acusação de feitiçaria de que foi alvo, com o quimbanda e o soba a agir como justiceiros para benefício pessoal e dos seus. […]

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As Águas de Vicente, Kopelipa e Dino

Ao longo dos anos, o governo do MPLA tem implementado a ideia de que a corrupção é um instrumento essencial para criar a burguesia nacional e de que os dirigentes e suas famílias são a escolha natural para formar essa burguesia. Com base neste argumento, todos aqueles que se manifestam contra a corrupção institucionalizada são apelidados de antipatriotas. É ao abrigo desta opinião generalizada que os detentores do poder podem abocanhar os negócios do Estado, eliminando quaisquer fronteiras entre o público e o privado e abolindo a concorrência necessária para o desenvolvimento. Assim se consagram como os verdadeiros donos do país. Só assim se explica que o vice-presidente da República (Manuel Vicente), o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do PR (general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior), o consultor do chefe da Casa de Segurança do PR (general Leopoldino Fragoso do Nascimento), o secretário de Estado do […]

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O Prédio dos Angolanos no Estoril Sol

Nos últimos anos, o novo-riquismo angolano tornou-se lendário em Portugal. Dirigentes angolanos, suas famílias e associados de negócios têm estado a adquirir, nesta parte da península ibérica, alguns dos principais símbolos da opulência local. Caso paradigmático é o do complexo residencial de luxo Estoril Sol Residence, que compreende três edifícios de uma arquitectura singular e controversa, no Estoril, na orla marítima de Lisboa. O complexo tem dos apartamentos mais caros de Portugal, que variam entre um milhão e cerca de cinco milhões de euros por unidade. O complexo é bem conhecido como o “prédio dos angolanos”, por serem estes os principais clientes do projecto imobiliário inaugurado há dois anos. Na posse de angolanos estão perto de 30 apartamentos. Numa breve investigação, Maka Angola apurou quem são os abastados angolanos com propriedades no Estoril Sol Residence. O actual ministro da Administração Pública, Emprego e Segurança Social, António Domingos Pitra Costa Neto, […]

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