Fusão Galp-Moeve: Uma Derrota Estratégica para a Sonangol

Vale a pena, para a Sonangol, abdicar de um dos últimos instrumentos de influência económica angolana e de uma refinaria em Portugal, em troca de promessas vagas de investimento futuro? A 8 de Janeiro, em comunicado público, a petrolífera portuguesa Galp e os accionistas da Moeve (Mubadala e Carlyle) anunciaram negociações para fundir os seus negócios de downstream na Península Ibérica, através da criação de duas novas empresas: a RetailCo, dedicada ao retalho de combustíveis, à mobilidade eléctrica e ao comércio de conveniência — ou seja, bombas de gasolina e estações de serviço conexas —, e a IndustrialCo, focada em refinação, petroquímica, trading e combustíveis de baixo carbono — na prática, refinarias e vendas por grosso.   A RetailCo será controlada conjuntamente pelas partes (50% cada) e contará com cerca de 3500 estações de serviço. A IndustrialCo reunirá os activos industriais de refinação (refinarias), petroquímica e combustíveis verdes, procurando criar […]

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Carta Aberta a João Lourenço: a Responsabilidade pelo Silêncio

A Sua Excelência O Presidente da República de Angola João Manuel Gonçalves Lourenço Excelência, Uma investigação criminal sobre negócios de mais de 4,4 mil milhões de kwanzas na Administração-Geral Tributária (AGT) ficou “esquecida” na Procuradoria-Geral da República (PGR). Os visados pelas denúncias, segundo o apuramento do Maka Angola, continuam a subir na hierarquia do Estado. Vossa Excelência promoveu José Vieira Nuno Leiria a secretário de Estado para os Assuntos Tributários. A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, nomeou Bráulio Assis director do gabinete de Leiria. Perante as denúncias, o poder responde concedendo impunidade. O ónus destas escolhas recai directamente sobre a sua responsabilidade política enquanto Titular do Poder Executivo. Que interesses justificam tamanha confiança em quem deve tantas explicações ao país? Esta interpelação tem uma história. Em Abril de 2020, no artigo “Governo sem Coordenação Institucional”, defendi a escolha de dirigentes competentes, independentemente de amiguismos e compadrios. Em Abril […]

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A Ministra das Finanças e o Lamaçal da Kianda In Sana

A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, decidiu associar a sua autoridade política aos dirigentes da Administração Geral Tributária (AGT) visados na investigação sobre a Kianda, que o Maka Angola tem vindo a publicar. Depois de, a 8 de Setembro de 2026, José Leiria, antigo presidente do Conselho de Administração da AGT, se ter tornado secretário de Estado para os Assuntos Tributários, Vera Daves nomeou Bráulio Assis para seu director de gabinete. A equipa sobe na hierarquia do Estado. As perguntas sobre os seus negócios continuam por responder. Bráulio Assis presidiu à comissão de avaliação do concurso que a In Pressionante Kianda ajudou a preparar e acabou por vencer. As mensagens a que o Maka Angola teve acesso mostram-no a orientar a candidata que deveria avaliar. Ao escolhê-lo para o gabinete de Leiria, Vera Daves dá uma demonstração pública de confiança política nos dois homens e assume a responsabilidade […]

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Carrinho-BFA: os Riscos que o BNA Tem de Travar

A decisão, que o Banco Nacional de Angola (BNA) tem de tomar, de autorizar a aquisição do Banco de Fomento Angola (BFA) pelo conglomerado Carrinho representa um momento de definição do sistema financeiro angolano. Através dela, vai tornar-se claro se Angola quer continuar nas listas de risco internacionais e ter um sistema financeiro que levanta suspeitas no mundo ou se, pelo contrário, quer entrar, em definitivo, na senda da regularidade institucional. A verdade é que a operação de aquisição do BFA pelo conglomerado Carrinho levanta questões estruturais que exigem análise técnica rigorosa, sobretudo porque a Carrinho já controla o Banco de Comércio e Indústria (BCI) desde Dezembro de 2021 e obteve autorização da Autoridade Reguladora da Concorrência, em Agosto de 2024, para assumir o controlo do Banco Keve, sujeito à aprovação do BNA. A entrada adicional no capital do BFA, no qual o grupo adquiriu 7,61% através da sua subsidiária […]

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O Algodão-Doce da AGT (Parte 2)

“Montei a empresa para escoar o produto das empresas portuguesas.” A frase é de Carla Castelo Trindade, ex-professora de José Leiria, antigo PCA da AGT e actual secretário de Estado para os Assuntos Tributários. Na segunda parte desta investigação, o Maka Angola segue o rasto das facturas emitidas em Portugal, de duas máquinas de algodão-doce que o gerente angolano diz nunca ter recebido e das centenas de milhares de euros transferidos de Luanda para Portugal. Leia aqui a primeira parte. “Montei a empresa para escoar” Entretanto, a “Cidade dos Kandengues Tributários” fora incluída no Plano de Comunicação da AGT para 2024, levado a concurso público em Novembro de 2023, por mil milhões de kwanzas. Em mensagens a que o Maka Angola teve acesso, Carla gabou-se de ter participado na elaboração do concurso e na sua manipulação para garantir a vitória da In Pressionante Kianda. A participação activa da direcção da […]

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O Algodão-Doce da AGT (Parte 1)

Num país onde milhões de crianças com fome e sem acesso à escola continuam fora das contas e das prioridades do Estado, até uma nuvem de açúcar serve para fazer sair dinheiro público. O algodão-doce, feito quase todo de ar e açúcar, tem a virtude de parecer maior do que é. Nos negócios da Administração Geral Tributária (AGT), essa leveza ganhou peso nas facturas. Duas empresas portuguesas facturaram à In Pressionante Kianda, contratada pela AGT, três máquinas de algodão-doce por 8.033,20 euros. João dos Santos, então sócio e gerente da empresa angolana, garante que recebeu apenas uma. Em Portugal, uma cotação obtida no mesmo período oferecia uma máquina nova por 300 euros, mais IVA. É a metáfora de um Estado sem verbas para dar merenda às crianças que, com fome, percorrem quilómetros até à escola, muitas vezes sem um lápis ou um caderno. Para os negócios dos adultos, porém, até […]

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Unitel na Bolsa: Brincar com o Dinheiro dos Outros

No fecho da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) do dia 24 de Setembro de 2026, o preço de uma acção da Unitel era de 28 000 kwanzas. A 29 de Julho de 2026, a empresa entrou em bolsa com um valor de 40 040 kwanzas por acção. A 31 de Agosto, a cotação já tinha descido para pouco mais de 36 000 kwanzas, e desde então a queda tem sido quase contínua (ver quadro abaixo): Isto quer dizer que a colocação das acções da Unitel em bolsa tem sido um descalabro. Os cerca de 300 mil milhões de kwanzas (perto de 320 milhões de dólares) pagos pelos novos accionistas pela participação de 15% na companhia valem agora cerca de 210 mil milhões, o que representa uma quebra de 30% em menos de dois meses. Por cada 1000 kwanzas investidos na Unitel, os investidores estão a perder 300 — já só […]

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As Elites do MPLA e a China

Quando João Lourenço tomou posse, em 2017, uma das suas primeiras deslocações ao exterior foi à China. A viagem tinha como propósito claro a obtenção de um novo grande empréstimo que permitisse aliviar a tesouraria angolana e relançar a economia num momento de crise profunda. O pedido inicial rondava os 11 mil milhões de dólares, um valor que, na altura, parecia possível, dada a longa história de financiamento chinês à reconstrução no pós‑guerra. Pequim não correspondeu às expectativas. Depois de sucessivos adiamentos, Lourenço regressou com apenas cerca de 2 mil milhões, destinados sobretudo a reestruturar e pagar dívidas antigas. O sinal político foi inequívoco, demonstrando que a China já não estava disposta a repetir o modelo de crédito fácil que sustentara o consulado de José Eduardo dos Santos, em que a China a suportara financeiramente o governo em tempos de crises graves (2009 e 2016) com empréstimos bilionários. A relação […]

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Empresa Israelita Terá Manipulado Redes Sociais em Angola

Uma empresa israelita especializada em operações de influência terá formado funcionários do Governo angolano para intervir nas redes sociais através de identidades falsas e conteúdos coordenados. A investigação é do Citizen Lab, unidade de investigação da Universidade de Toronto, no Canadá, e descreve uma operação que associava formação técnica à execução de campanhas destinadas a moldar o debate público. Assinado por Alberto Fittarelli, John Scott-Railton e Maia Scott, o estudo examina a BlackCore, empresa que comercializa serviços de influência digital. Para Angola, a promessa era ambiciosa: criar uma estrutura profissional de comunicação do Estado, capaz de crescer e abandonar práticas consideradas amadoras pela própria empresa. Os investigadores encontraram uma página intitulada “Campanha do Governo Angolano”, ainda acessível no início de Abril de 2026, mas entretanto eliminada. Ali se anunciava uma formação de quatro semanas, prevista para Fevereiro desse ano, sobre construção de narrativas, redacção, gestão de tráfego e operações nas […]

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Opinião Legal: a Validade da Atribuição da Nacionalidade Angolana a José Maria Trindade e Carla Trindade

A presente opinião jurídica é emitida exclusivamente com base nos documentos que foram disponibilizados, bem como nas normas legais expressamente enunciadas e transcritas no corpo do parecer, incluindo a Lei da Nacionalidade de 11 de novembro de 1975, a Lei n.º 2/84, de 7 de fevereiro, e a Lei n.º 2/16, de 15 de abril. A análise desenvolvida resulta da interpretação directa desses diplomas e da articulação entre os respectivos regimes de atribuição, manutenção, perda e aquisição da nacionalidade angolana, tal como aplicáveis aos factos descritos. Esta opinião não considera quaisquer factos supervenientes, elementos documentais adicionais, procedimentos administrativos internos, decisões não publicitadas, actos discricionários das autoridades competentes ou circunstâncias que não tenham sido expressamente comunicadas. Assim, a conclusão apresentada reflete apenas o estado jurídico que resulta dos documentos submetidos e das normas legais vigentes à data dos factos descritos, não abrangendo situações futuras, desconhecidas ou não documentadas, constituindo tão-somente uma […]

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