IGCA: Secretário de Estado Assina como Director-Geral

Quatro meses depois de ter sido nomeado secretário de Estado do Urbanismo e Habitação, Conceição Cristóvão continua a exercer funções como director‑geral do Instituto Geográfico e Cadastral de Angola — uma acumulação proibida pela Constituição. Apesar da incompatibilidade, presidiu hoje, 6 de Março de 2026, à assembleia de trabalhadores do IGCA, reunião que ele próprio convocou enquanto responsável máximo da instituição. Desde 30 de Outubro de 2025, Conceição Luís Cristóvão exerce funções de secretário de Estado para o Urbanismo e Habitação. À luz da Constituição angolana e do regime jurídico da Administração Pública, a nomeação para esse cargo torna incompatível a continuação do exercício de funções como director-geral do Instituto Geográfico e Cadastral de Angola (IGCA). De igual modo, Adilson Freire, que desempenha as funções de chefe do Departamento de Apoio ao Director do IGCA, acumula essas funções com as de director de gabinete do secretário de Estado para o […]

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A Captura do Cadastro no IGCA

A recusa sistemática de um organismo público em reconhecer, proteger e certificar um direito de propriedade não é um incidente burocrático. É um ataque directo ao Estado de Direito. O caso que envolve a cidadã Maria Africano da Silva e o Instituto Geográfico e Cadastral de Angola (IGCA), na pessoa do seu director-geral-adjunto para a área técnica, Silva Hossi Venâncio (na fotografia, o terceiro a partir da esquerda), expõe, com uma nitidez perturbadora, como a fragilidade institucional pode transformar um simples pedido de informação cadastral num verdadeiro esbulho administrativo, com impactos que ultrapassam a esfera individual e atingem a confiança colectiva no sistema jurídico. A 24 de Junho de 2025, através do ofício n.º 6611/GPRC/SIC-LDA/2025, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) requereu ao IGCA a confirmação da titularidade cadastral de um terreno de 9,86 hectares no município do Talatona, em Luanda, Trata-se de um processo-crime de usurpação de terreno identificado […]

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Ilusões Perigosas da Ministra das Finanças

A ministra das Finanças de Angola, Vera Daves, apareceu afirmativa no colóquio “100 Makas”, promovido pelo economista Carlos Rosado de Carvalho. É de saudar os ministros que estão com o público, explicam as suas opções e procuram defender as suas políticas. No entanto, houve uma afirmação da ministra que pareceu directamente saída do mundo das ilusões, manifestando, mais uma vez, a doença que aparentemente afecta os governantes angolanos: com uma destreza estupefaciente, são proferidas afirmações que nada têm que ver com a realidade e que revelam um abismo entre os factos e o discurso. Referimo-nos à afirmação da ministra segundo a qual “o número do financiamento externo não me assusta”, que “o financiamento externo não é difícil” e que existem linhas de crédito disponíveis “em torno de 3% ou menos”. Esta declaração não corresponde, nos termos da informação disponível, à realidade financeira que o país enfrentou em 2024 e 2025. […]

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Nota Editorial sobre Grupo Carrinho

Como é seu dever legal e ético, o Maka Angola publicou a resposta do Grupo Carrinho aos artigos divulgados no seu portal nos dias 23 e 24 de Fevereiro de 2026. Ficou assim assegurado o contraditório institucional e o direito de resposta do Grupo Carrinho, permitindo ao leitor conhecer, com igual relevo, as posições apresentadas. Mantemos integralmente a nossa posição editorial relativamente aos factos publicados. Os artigos resultam de investigação baseada em documentação e em critérios jornalísticos rigorosos, no exercício do direito à informação e do escrutínio público. Qualquer divergência poderá ser apreciada nas instâncias competentes, nos termos da lei. Continuaremos a exercer o nosso trabalho com independência, serenidade e firme compromisso com a prestação de contas.

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Nota de imprensa — direito de resposta do Grupo Carrinho

NOTA DE IMPRENSA ESCLARECIMENTO PÚBLICO, REPOSIÇÃO DE FACTOS E EXIGÊNCIA DE RECTIFICAÇÃO PERANTE IMPUTAÇÕES SEM SUPORTE DOCUMENTAL O Grupo Carrinho vem, por esta via, prestar esclarecimento público formal e repor a verdade factual perante afirmações divulgadas pelo portal Maka Angola nos artigos intitulados “Carrinho: a Concentração Silenciosa do Poder Económico” (23 de Fevereiro de 2026) e “As Ligações Suspeitas do Grupo Carrinho” (24 de Fevereiro de 2026). As peças em causa contêm imputações de elevada gravidade, incluindo percentagens e conclusões apresentadas como factos, sustentadas em insinuações, “fontes” não identificadas e inferências, sem suporte documental mínimo, sem metodologia verificável e sem contraditório efectivo. O Grupo Carrinho rejeita, com firmeza, a tentativa de transformar suspeição em facto por via de repetição ou associação. Mais: as publicações chegam a reconhecer, no próprio texto, que “não há provas” de práticas irregulares atribuíveis ao Grupo, mas insistem, ainda assim, em conjecturas e construções insinuantes. Tal […]

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61,5 Mil Milhões por Ajuste Directo: o Cofre do Presidente

Em 476 despachos presidenciais relativos a contratações simplificadas autorizadas pelo titular do poder executivo, foi possível validar um montante acumulado de 61,5 mil milhões de dólares. Os números partem da revisão, feita pelo autor deste artigo e por Hélder Preza, de um universo de mais de 500 despachos, dos quais 476 continham informação validável. Trata-se de uma amostra — e não da totalidade — das autorizações por ajuste directo emitidas durante os oito anos da presidência de João Lourenço. Dos 476 despachos, foi possível identificar o beneficiário em 273 (57,4%). Nos restantes 203 (42,6%), o beneficiário não consta. Entre os beneficiários identificados, verificou-se a existência de 98 entidades distintas, nacionais e estrangeiras. Os maiores volumes agregados concentram-se nos seguintes grupos: O conjunto dos principais beneficiários identificados representa, aproximadamente, 27,5% do valor global analisado. Importa notar que, em vários casos, empresas como a Omatapalo e a Mota-Engil surgem também como subcontratadas […]

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As Ligações Suspeitas do Grupo Carrinho

As relações empresariais do Grupo Carrinho com várias entidades internacionais merecem uma atenção redobrada, uma vez que a respectiva informação financeira não é disponibilizada ao público e as estruturas envolvidas são muito complexas. São confirmadas as ligações do Grupo Carrinho à Manty AG, sediada na Suíça e dirigida por Maurice Taylor, e à Paramount Energy & Commodities, fundada por Niels Troost. A Manty AG funciona, aparentemente, como trading para as importações alimentares do grupo. Diversas fontes sugerem que a Manty poderá ser controlada pela própria Carrinho, embora tal não esteja documentado publicamente. O site da Manty apresentava a Carrinho como “partner”, mas não esclarecia a natureza societária dessa parceria. Quando foi renovado, já em 2026, essa relação tornou-se menos explícita, mas ainda se encontra, de forma mais escondida, a relação com a Carrinho. A ausência de informação financeira pública sobre a relação da Manty com a Carrinho alimenta especulações em […]

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Carrinho: a Concentração Silenciosa do Poder Económico

O poder político continua a organizar a economia angolana em torno de uns quantos grupos escolhidos a dedo. Mudaram os nomes. Não mudou o modelo. Entre os conglomerados que mais rapidamente ascenderam ao centro da arquitectura económico‑política do actual regime, destaca‑se o Grupo Carrinho. Da agro‑indústria à logística alimentar, e agora com incursões evidentes no sector bancário, o grupo tornou‑se parceiro central do Estado. Absorve contratos de grande dimensão, muitas vezes por ajuste directo, e ocupa funções que, numa economia verdadeiramente competitiva, seriam distribuídas por um tecido empresarial plural e independente. O crescimento empresarial do Grupo Carrinho, por si só, não é problema. O problema é a concentração, a par da opacidade. Reserva estratégica: o silêncio dos milhões A Reserva Estratégica Alimentar (REA) foi apresentada como um instrumento de estabilização de preços e protecção do consumidor. A sua operacionalização ficou associada à Gescesta, ligada ao Grupo Carrinho, enquanto o Entreposto […]

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Onze Segundos, Seis Meses de Prisão: o Caso Lucungo

Venâncio Lucungo foi detido a 23 de Julho por “provocação à guerra”. Seis meses depois, continua preso, sem acusação formal conhecida. A base da detenção? Um excerto de 11 segundos de um discurso público. A 23 de Julho do ano passado, cinco dias antes da repressão brutal da greve dos taxistas, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) deteve Venâncio Filipe Ngondo Lucungo, de 50 anos, sob acusação de “provocação à guerra”. Seis meses depois, o seu advogado, Bruno Xingui, confirma que não foi notificado da acusação formal. A detenção foi anunciada pela Televisão Pública de Angola (TPA), que leu o comunicado oficial segundo o qual Lucungo foi detido por “indícios fortes de prática dos crimes de rebelião, instigação pública ao crime e apologia pública de crime, provocação à guerra ou represálias”. A detenção baseou-se num discurso em que alegadamente Lucungo teria incitado a população “a pegar em armas de fogo […]

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Os Instrumentos Discretos do Neo-Autoritarismo

Deng Xiaoping, que inspirou os primeiros pronunciamentos de João Lourenço no início da sua presidência, sempre defendeu com desprezo que o colapso da União Soviética se deveu a “não ser sequer capaz de colocar comida nas barrigas do seu povo”. A sua estratégia para legitimar o poder do Partido Comunista Chinês assentou, por isso, no desenvolvimento económico e no enriquecimento generalizado da população. João Lourenço seguiu o caminho oposto de Deng Xiaoping: não “colocou comida nas barrigas do seu povo” e não melhorou as condições gerais de vida dos angolanos. Esta é a realidade mais grave de Angola. A raiz do descontentamento popular é a falta de comida, de oportunidades e de condições mínimas para uma vida digna. Contudo, em vez de confrontar a realidade, o Executivo entra numa deriva de neo-autoritarismo legal, acreditando que assim controla o descontentamento social. Usa a lei para reprimir, quando o problema é a […]

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