Unitel na Bolsa: Brincar com o Dinheiro dos Outros

No fecho da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) do dia 24 de Setembro de 2026, o preço de uma acção da Unitel era de 28 000 kwanzas. A 29 de Julho de 2026, a empresa entrou em bolsa com um valor de 40 040 kwanzas por acção. A 31 de Agosto, a cotação já tinha descido para pouco mais de 36 000 kwanzas, e desde então a queda tem sido quase contínua (ver quadro abaixo): Isto quer dizer que a colocação das acções da Unitel em bolsa tem sido um descalabro. Os cerca de 300 mil milhões de kwanzas (perto de 320 milhões de dólares) pagos pelos novos accionistas pela participação de 15% na companhia valem agora cerca de 210 mil milhões, o que representa uma quebra de 30% em menos de dois meses. Por cada 1000 kwanzas investidos na Unitel, os investidores estão a perder 300 — já só […]

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As Elites do MPLA e a China

Quando João Lourenço tomou posse, em 2017, uma das suas primeiras deslocações ao exterior foi à China. A viagem tinha como propósito claro a obtenção de um novo grande empréstimo que permitisse aliviar a tesouraria angolana e relançar a economia num momento de crise profunda. O pedido inicial rondava os 11 mil milhões de dólares, um valor que, na altura, parecia possível, dada a longa história de financiamento chinês à reconstrução no pós‑guerra. Pequim não correspondeu às expectativas. Depois de sucessivos adiamentos, Lourenço regressou com apenas cerca de 2 mil milhões, destinados sobretudo a reestruturar e pagar dívidas antigas. O sinal político foi inequívoco, demonstrando que a China já não estava disposta a repetir o modelo de crédito fácil que sustentara o consulado de José Eduardo dos Santos, em que a China a suportara financeiramente o governo em tempos de crises graves (2009 e 2016) com empréstimos bilionários. A relação […]

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Empresa Israelita Terá Manipulado Redes Sociais em Angola

Uma empresa israelita especializada em operações de influência terá formado funcionários do Governo angolano para intervir nas redes sociais através de identidades falsas e conteúdos coordenados. A investigação é do Citizen Lab, unidade de investigação da Universidade de Toronto, no Canadá, e descreve uma operação que associava formação técnica à execução de campanhas destinadas a moldar o debate público. Assinado por Alberto Fittarelli, John Scott-Railton e Maia Scott, o estudo examina a BlackCore, empresa que comercializa serviços de influência digital. Para Angola, a promessa era ambiciosa: criar uma estrutura profissional de comunicação do Estado, capaz de crescer e abandonar práticas consideradas amadoras pela própria empresa. Os investigadores encontraram uma página intitulada “Campanha do Governo Angolano”, ainda acessível no início de Abril de 2026, mas entretanto eliminada. Ali se anunciava uma formação de quatro semanas, prevista para Fevereiro desse ano, sobre construção de narrativas, redacção, gestão de tráfego e operações nas […]

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Opinião Legal: a Validade da Atribuição da Nacionalidade Angolana a José Maria Trindade e Carla Trindade

A presente opinião jurídica é emitida exclusivamente com base nos documentos que foram disponibilizados, bem como nas normas legais expressamente enunciadas e transcritas no corpo do parecer, incluindo a Lei da Nacionalidade de 11 de novembro de 1975, a Lei n.º 2/84, de 7 de fevereiro, e a Lei n.º 2/16, de 15 de abril. A análise desenvolvida resulta da interpretação directa desses diplomas e da articulação entre os respectivos regimes de atribuição, manutenção, perda e aquisição da nacionalidade angolana, tal como aplicáveis aos factos descritos. Esta opinião não considera quaisquer factos supervenientes, elementos documentais adicionais, procedimentos administrativos internos, decisões não publicitadas, actos discricionários das autoridades competentes ou circunstâncias que não tenham sido expressamente comunicadas. Assim, a conclusão apresentada reflete apenas o estado jurídico que resulta dos documentos submetidos e das normas legais vigentes à data dos factos descritos, não abrangendo situações futuras, desconhecidas ou não documentadas, constituindo tão-somente uma […]

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AGT Contrata Suspeita de Branqueamento de Capitais para Investigar Crimes Fiscais (Parte 2)

Na primeira parte desta investigação, o Maka Angola revelou que a AGT contratou Carla Trindade para investigar crimes fiscais apesar de a consultora portuguesa gerir, de facto, a empresa do marido que factura milhões junto da própria administração tributária. Esta segunda parte mostra que o casal à frente da In Pressionante Kianda foi alvo de uma denúncia que chegou a três altos responsáveis do Estado, sem qualquer efeito, antes da assinatura do primeiro contrato entre a empresa e a AGT, e como os documentos sobre a nacionalidade angolana de Carla Trindade levantam mais dúvidas do que certezas. Dentro do concurso antes da publicação A intervenção de Carla também está documentada no procedimento de contratação do plano de comunicação de 2024. Em 31 de Outubro de 2023, tinha em seu poder versões preparatórias do despacho de abertura, anúncio, programa, caderno de encargos e ofício destinado à Imprensa Nacional. Antes desses documentos […]

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AGT Contrata Suspeita de Branqueamento de Capitais para Investigar Crimes Fiscais (Parte 1)

A Administração Geral Tributária (AGT) celebrou com a académica portuguesa Carla Marisa Castelo Trindade Martins dois contratos individuais de consultoria que somam 551 milhões de kwanzas. O objectivo é apoiar a investigação e a instrução de processos de crimes tributários. A consultora Carla Trindade, porém, surge em documentos que indiciam irregularidades nos negócios de uma empresa do marido com a própria AGT e é visada numa participação criminal oficializada e protocolada junto do Ministério Público por suspeitas de branqueamento de capitais, fuga ao fisco e outros ilícitos (ver aqui e aqui). Carla Trindade lecciona Direito Fiscal, Contencioso Tributário e Arbitragem na Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, onde coordena a Pós-Graduação em Contencioso Tributário e o Curso Breve Crime e Impostos. É também docente de Direito Económico e Empresarial na Católica Lisbon School of Business & Economics e lecciona o módulo de Imposto Industrial no Mestrado em […]

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Direito de Resposta: Bráulio Assis

Em resposta ao Maka Angola, Bráulio Assis, presidente da Comissão de Avaliação do concurso n.º 347/UCP/DSAdm/AGT/2023 — que adjudicou o Plano de Comunicação da AGT à Kianda —, nega ter favorecido esta empresa, autorizado o envio antecipado de peças do concurso ou concedido acesso privilegiado a informação a qualquer concorrente. Assis sustenta que a sua actuação se limitou às competências formalmente atribuídas à Comissão, que as decisões foram tomadas colegialmente e que não mantinha, antes do processo, qualquer relação pessoal ou profissional com Carla Trindade ou Mário Martins. Defende a qualidade dos serviços de comunicação prestados pela Kianda e justifica os custos contestados — incluindo os relativos a equipamentos usados em feiras e eventos — como compatíveis com os parâmetros habituais deste tipo de iniciativa. “Questionário a Bráulio Assis Assunto Concurso Limitado por Prévia Qualificação n.º 347/UCP/DSAdm/AGT/2023, avaliação, adjudicação e execução do Plano de Comunicação da AGT Prazo de resposta […]

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Direito de Resposta: Carla Castelo Trindade

Em resposta às perguntas do Maka Angola, no âmbito do direito de contraditório, a fiscalista Carla Castelo Trindade nega qualquer irregularidade no contrato de consultoria que celebrou com a Administração Geral Tributária (AGT), obtido através do concurso público n.º 19/UCP/GAF/AGT/2026, e distingue-o do contrato de comunicação entre a AGT e a Kianda. Segundo Trindade, as alegações de branqueamento de capitais têm origem numa disputa societária na Kianda, desencadeada quando os sócios portugueses do grupo recusaram pagar 250 milhões de kwanzas pela quota do sócio angolano Salvador Pascoal (Caló Pascoal); este terá alegadamente, segundo Carla Trindade, recorrido depois a tribunais, bancos, entidades públicas e, por fim, à ameaça de exposição mediática para obter o pagamento. “Exmo. Senhor Rafael Marques de Morais, Começo por agradecer o seu contacto e a oportunidade que me concede de exercer o direito de resposta e de contraditório relativamente às reportagens que o Maka Angola se encontra […]

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Kianda: a Guerra dos Sócios pelo Contrato de Mil Milhões

A In Pressionante Kianda — Prestação de Serviços, Lda. foi constituída em Luanda a 7 de Junho de 2023, com capital social de 100 mil kwanzas, integralmente realizado em dinheiro e dividido por quatro quotas. A In Pressionante, Unipessoal, Lda. detinha 40 por cento e a In Pressionante 2 Win, Lda., 30 por cento, ambas pertencentes a Mário João Zimas Trindade Martins; Salvador Manuel Pascoal detinha 20 por cento e João António Diogo dos Santos (acumulando o cargo de gerente), 10 por cento. Em negociações lideradas por Carla Trindade, esposa de Mário Martins, a Kianda venceu em Abril de 2024 um concurso lançado pela AGT, firmando com este organismo público um contrato anual de mil milhões de kwanzas, renováveis por mais dois anos, num total de três mil milhões (ver aqui e aqui). A partir do momento em que a Kianda ganhou este contrato milionário, iniciou-se um contencioso entre os […]

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AGT Atribui Três Mil Milhões à Empresa que Ajudou a Fazer o Próprio Concurso – Parte 2

O concurso tornou-se público a 15 de Novembro de 2023. Dentro da candidatura da In Pressionante Kianda, porém, faltava transformar uma empresa com dois trabalhadores com vínculos activos no INSS numa concorrente capaz de apresentar vinte perfis técnicos. As mensagens e os documentos mostram Bráulio Assis, presidente da Comissão de Avaliação, a antecipar informações, a indicar respostas e a dar o seu “ok” à empresa que viria a vencer. Na primeira parte desta investigação, o Maka Angola revelou que Carla Trindade, funcionária da Kianda, recebeu peças do concurso antes de este ser tornado público, discutiu alterações com responsáveis da Administração Geral Tributária (AGT) e escreveu aos sócios: “Quem fez o programa de procedimentos do concurso fomos nós.” Depois da abertura formal do concurso, a proximidade entre a AGT e a empresa Kianda prosseguiu durante a composição e a avaliação da candidatura. Vinte perfis, dois vínculos A versão revista das peças […]

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