Quando o Partido Entra no Banco

O facto de Angola ter permanecido sob monitorização reforçada pelo Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) voltou a expor fragilidades estruturais do sistema bancário nacional. Mais do que a existência de leis, o que está em causa é a capacidade do país para demonstrar, na prática, uma separação efetiva entre poder político, propriedade bancária e supervisão financeira. A elevada concentração de pessoas politicamente expostas (PEP) no sistema financeiro, muitas vezes ocultadas por detrás de estruturas societárias opacas, continua a minar a credibilidade institucional junto de reguladores e parceiros internacionais. A decisão, tomada em Outubro de 2024 pelo GAFI, de colocar Angola sob vigilância reforçada, , foi apresentada como um alerta técnico. Na prática, porém, trata-se de um sinal político-institucional com efeitos económicos claros: maior escrutínio internacional, encarecimento das relações com os bancos correspondentes internacionais e aumento da perceção de risco-país. Poder político e banca: uma fronteira difusa A sobreposição entre […]

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Os Comilões do Palácio

Nos últimos dois anos fiscais, o Governo Provincial do Kuando-Kubango gastou mais de 1,624 mil milhões de kwanzas em alimentos para o palácio do seu governador, calamidades e catástrofes naturais, bem como para famílias vulneráveis. Esses valores não abrangem as despesas contraídas pelos municípios com a mesma finalidade. Do montante em questão, 94,5 milhões foram pagos para abastecer um orfanato, que na realidade apenas recebeu comida no valor de três milhões de kwanzas, ou seja, 3,1% do valor oficialmente despendido. É o que parece. Após meses de investigação, o Maka Angola concluiu que o palácio do governador José Martins gasta mais em alimentos do que o apoio total que presta às vítimas das calamidades e catástrofes naturais, assim como às famílias vulneráveis. Do valor acima mencionado, o palácio consumiu 723 milhões de kwanzas – o equivalente a 44,4% do total da despesa em análise. Para as famílias vulneráveis, o governo […]

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MPLA Paralisa o Cuango para Manifestação Partidária

O MPLA e o governador provincial da Lunda-Norte, Ernesto Muangala, encerraram hoje, no município do Cuango, as escolas, a função pública, mercados e estabelecimentos privados para garantir um acolhimento de massas ao secretário-geral do MPLA, Dino Matross, que visitou a localidade por algumas horas.   Durante o acto partidário que orientou no complexo privado do general Tchiloya, Dino Matross referiu que foi mandatado pelo Bureau Político do MPLA para agradecer à população da Lunda-Norte pela vitória eleitoral do seu partido nessa região.   Como parte do procedimento de boas vindas, as autoridades locais organizaram também delegações dos municípios de Caungula, Capenda-Camulemba e Lubalo Xá-Muteba para participarem do evento. Cada município teve de enviar uma quota mínima de 200 pessoas, entre estudantes, funcionários públicos e militantes.   Romeu André, integrante da comitiva de Caungula, revelou ao Maka Angola o transporte de grande parte dos populares em camiões militares, de marca Kamaz, […]

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