Discussão com o Morto: A Repressão de um Funeral

Optimista incurável, aquele homem de fato preto bem engomado e barba organizada, sorria tranquilo, enquanto caminhava ao meu lado. À berma da estrada, um forte cordão de segurança de agentes da Polícia Nacional, olhava, de forma desarmada, aquela procissão funerária. Pela primeira vez na história de Angola independente, membros da oposição, da sociedade civil e familiares de um político, assassinado pela guarda presidencial, realizavam uma marcha funerária, com cânticos políticos, numa das mais centrais vias de Luanda. Jovens manifestantes e opositores ao regime, regra geral, iniciam as suas manifestações à porta do Cemitério da Santana em direcção ao Largo da Independência, passando pela Avenida Deolinda Rodrigues (vulgo Estrada de Catete), numa distância de menos de dois quilómetros. Este pequeno trecho tem sido, desde 2011, a zona de maior violência política no país. As forças policiais também costumam iniciar os seus actos de violência às portas do Cemitério da Santana, e […]

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Dos Santos Envergonha os Angolanos

O presidente José Eduardo dos Santos fez mais pela oposição ao seu regime, na entrevista à SIC, do que a digressão europeia de Isaías Samakuva e Abel Chivukuvuku, ou do que o conjunto de iniciativas críticas da sociedade civil dos últimos meses. Na verdade, o presidente revelou o seu desinteresse pela realidade do país. Ao chamar de frustrados os jovens que se têm manifestado contra o seu poder, José Eduardo dos Santos revelou o medo que tem da juventude. O Emiliano Catumbela, de 22 anos, está preso desde o dia 27 de Maio, por ter exercido o seu direito de manifestação. Tem sido torturado, e a Polícia Militar do presidente tentou arrancar-lhe uma unha com um alicate. É assim que o senhor presidente trata os jovens que frustra com as suas políticas. Vi o presidente por aquilo que ele é, cínico e incapaz de manifestar qualquer empatia para com o […]

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