Director Adjunto da Rádio Despertar na Cadeia

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O director-geral adjunto da Rádio Despertar, Queirós Anastácio Chilúvia, de 38 anos, vai continuar detido após adiamento, hoje, do seu julgamento sumário no município de Cacuaco em Luanda.

Segundo o advogado de defesa, Africano Cangombe, nem a polícia nem o tribunal o autorizaram a falar com o seu cliente, Queirós Anastácio Chilúvia, para tomar conhecimento do caso e preparar a sua defesa.

“Não houve julgamento porque a procuradora achou pouco fundamentada a acusação contra o meu cliente e devolve o processo à DNIC para investigar. Aqui prende-se primeiro, depois investiga-se”, disse Africano Cangombe.

Segundo o advogado, a polícia acusou o director-adjunto da Rádio Despertar de ter cometido o crime de calúnia e difamação, bem como a prestação de falsas declarações contra um órgão público: a polícia.

Efectivos da Polícia Nacional detiveram ontem Queirós Chilúvia quando este, ao passar defronte do Comando Municipal da Polícia Nacional, em Cacuaco, ouviu gritos de detidos a pedir socorro e decidiu reportar sobre o assunto.

Queirós Chilúvia ligou ao Maka Angola às 15h13, para informar sobre a ocorrência e, a seguir, fez uma breve reportagem em directo para a Rádio Despertar. Segundo vários testemunhos, o jornalista entrou no Comando Municipal para obter uma reacção por das autoridades policiais, e estas detiveram-no imediatamente.

Brígido Hama, o técnico de som que colocou a reportagem no ar, explicou ao Maka Angola que Queirós Chilúvia “informou ter notado um alvoroço entre detidos e estava a ver um deles a deitar sangue fora da cela. Foi o que disse de relevante”.

O advogado Africano Cangombe lamentou ainda o facto de o seu cliente ter sido encaminhado com algemas e a pé, “num percurso de cerca de 500 metros, para o exporem à humilhação pública”.

Queirós Chilúvia foi levado ao tribunal por volta das 11h00 e foi reconduzido novamente à cela da unidade policial do Belo Monte, em Cacuaco, por volta das 16h30.

A Rádio Despertar, que emite apenas em FM, tem-se destacado, nos arredores de Luanda (onde é possível sintonizar a sua frequência), como a estação de maior audiência.

A rádio foi lançada em 2006, como parte dos acordos de paz entre o governo e a UNITA, que garantiu a transformação da antiga rádio da UNITA, a VORGAN, em rádio comercial, com emissões em FM apenas e para Luanda.

Durante vários anos, a Rádio Ecclésia liderava a alternativa à propaganda oficial, nas ondas hertzianas. Nos anos mais recentes, a censura arbitrária, o afastamento compulsivo de jornalistas críticos do regime e o encerramento de programas dissidentes na Emissora Católica de Angola, então considerada como a Rádio de Confiança, levaram milhares de ouvintes a sintonizar preferencialmente a Rádio Despertar.

 

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